Rodrigo Guerini

Virtual Boy - O videogame 3d da Nintendo que não deu certo.

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Retirado de www.sanrojoga.com

Virtual Boy

A Nintendo, líder do mercado - tanto em consoles, quanto em portáteis, resolve revolucionar a jogatina e introduzir uma nova dimensão ao jogador. Chega da imagem chapada da televisão, agora a idéia é inserir o jogador no mundo 3D.


Ahn? 2011 e o lançamento do Nintendo 3DS? Lógico que não! Estamos falando de 1995 e o lançamento do VIRTUAL BOY!

O que é o Virtual Boy?

Não é um acessório, mas também não é um portátil, nem um console de mesa. O Virtual Boy é tão... esquizofrênico (?) que ele provavelmente precisaria de uma nova categoria para enquadrá-lo, afinal, podemos chamá-lo de portátil, sendo que é necessário uma mesa para jogá-lo?


Se você olhar por 5 minutos esta imagem também terá dor de cabeça...

O Virtual Boy foi a "encheção" de linguiça oficial entre o Super Nintendo e o lançamento do Nintendo 64. Devido a hegemonia que o seu console de 16bits estava tendo a partir de 1992 a Nintendo não estava lá muito interessada em mudar de geração. Novos consoles estavam sendo apresentados e vendidos, tanto pela Sony - Playstation, quanto pela Sega - Saturn, e o projeto do Nintendo 64 estava longe de completo.

É lançado então o Virtual Boy, uma geringonça composta de um óculos imenso, pézinho para este óculos e um controle. Tão portátil quanto a sua televisão de 50 polegadas.

Os óculos eram necessários para dar o efeito 3D que o acessório pregava. Acontece assim, para que nós consigamos ter a impressão do 3D, precisamos que cada um dos olhos receba informações diferentes. O que o Virtual Boy fazia era ter cada uma de suas duas telas, exibindo imagens similares, mas não iguais, e assim dando a sensação do 3D.


Imagina jogar isso com um Wiimote

Ao contrário do que ficou popular, a Nintendo não tinha exatamente como fazer o Virtual Boy colorido, na época do projeto apenas as cores vermelha e azul poderiam ser colocadas. O azul tinha um brilho muito fraco e não dava a sensação do 3D, ao contrário do vermelho, por isto, o Virtual Boy acabou ficando conhecido como um console com jogos em duas cores - preto e vermelho.

Segundo a própria Nintendo, o Virtual Boy não tinha como objetivo substituir o Game Boy, afinal não poderia ser jogado em qualquer lugar, nem o Super Nintendo, portanto criaria uma nova categoria. Este mesmo papo, diga-se, foi feito no lançamento do Wii, que ele não chegava para concorrer com o Playstation 3 ou o Xbox 360 e sim, criar uma nova categoria.

E por que o Virtual Boy não deu certo?

Por onde começar? É quase como entrar numa fábrica de chocolates e ser obrigado a escolher um item.

Os jogos são ruins, certo? Com tantos videogames que nasceram e morreram na metade da década de 90 é até irônico dizer que o Virtual Boy, na sua diminuta lista de jogos (22 ao todo), tinha alguns bastante bons. Wario Land, por exemplo, é um exemplar jogo de plataforma que faria bonito em absolutamente qualquer videogame.


Entendeu alguma coisa? É, nem eu...

E aí está o primeiro grande problema do Virtual Boy, seus melhores jogos poderiam ser facilmente realizados em outros videogames, o tal do efeito de realidade virtual era nulo em quase todos os jogos, e embora o 3D fosse até relativamente competente, em quase nenhum dos jogos ele era realmente necessário.

Pela própria limitação da tecnologia, o Virtual Boy apresentava apenas aquele vermelho característico, portanto, por melhores que fossem os gráficos - e não eram tão bons assim, afinal, lembre-se, o videogame precisava processar 2x a informação, uma para cada olho -, você ficaria preso aquele mundo sem cor.


Waterworld para Virtual Boy. E você achava que o FILME era ruim...

Sua portabilidade era absolutamente ridícula, já que era necessário uma superfície bastante estável - existem espelhos se mexendo lá dentro durante a jogatina, que poderiam se deslocar, caso você jogasse dentro de um carro, por exemplo - e comia 6 pilhas a cada 6 a 7 horas. Reclame do seu iphone agora.

Somado a tudo isso, são frequentes os relatos de pessoas que tiveram dores de cabeça e nos olhos após poucos minutos de exposição ao produto - diga-se, relatos parecidos, embora em menor quantidade, também foram feitos após a apresentação do 3DS.

Em suma, o Virtual Boy era a forma mais eficaz de você criar uma dor de cabeça, para jogos que podiam muito bem ser apresentados em outros sistemas, como o Super NES ou até o Game Boy.


Da série: "Imagens que valem mais do que 1000 palavras"


Como consequência deste fracasso o Virtual Boy foi logo esquecido pela Nintendo, que focou todos os seus recursos para o projeto do Nintendo 64, o tal conceito de "Realidade Virtual" - que outras empresas já haviam namorado, inclusive a Sega - foi deixado para trás e assim como o comunismo esquecido nos anos 90, pelo menos como produto de massas.

Já o inventor da geringonça, Gunpei Yokoi, que também tinha desenvolvido o Game Boy, o Game & Watch e a série Metroid, acabou sendo demitido da Nintendo. Por fim, o 3D em games só voltou a ser notícia em 2009 com a Sony anunciando uma atualização para televisões 3D de seu Playstation 3, e claro, a Nintendo com o lançamento do Nintendo 3DS em fevereiro deste ano.





SÉRIE COMPLETA: Acessórios que você NÃO deveria testar:


Parte 1 - Power Glove (NES) e Intellivoice (Intellivision)
Parte 2 - R.O.B. (NES)
Parte 3 - Sega Activator (Mega Drive)
Parte 4 - Overlays (Odyssey)
Parte 5 - Minklink (Atari)
Parte 6 - Roll & Rocker (NES)
Parte 7 - Sega MegaDrive Modem
Parte 8 - Nintendo 64DD
Parte 9 - Dreamcast Fishing Rod
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Comentários

  1. Hellwings -
    Avatar de Hellwings
    eu lembro qdo esse treco lancou... eu queria ter um. coitado d mim se eu ganhasse um desses...
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  2. Repolho Roxo -
    Avatar de Repolho Roxo
    Meu amigo tinha um e eu frequentemente pegava emprestado com ele pra jogar. Lembro que a tia dele trouxe dos EUA no lançamento com uma só fita: Mario Tennis.
    Apesar disso eu gostava bastante de jogar nele, sério era bem legal. O Problema das pilhas foi resolvido com um simples adaptador 12V de parede, no qual eu ligava ele atrás do controle aonde ficavam as pilhas.
    Eu lembro que sempre quis ficar com ele, as vezes até comprar, mas meu amigo nunca vendeu....hoje deve estar jogado em algum canto da casa dele...
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  3. Rodrigo Guerini -
    Avatar de Rodrigo Guerini
    Citação
    eu lembro qdo esse treco lancou... eu queria ter um. coitado d mim se eu ganhasse um desses...
    as vezes nossos pais sabem o que é melhor para nós, ahuauuha
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  4. Rodrigo Guerini -
    Avatar de Rodrigo Guerini
    Citação
    Meu amigo tinha um e eu frequentemente pegava emprestado com ele pra jogar. Lembro que a tia dele trouxe dos EUA no lançamento com uma só fita: Mario Tennis.
    Apesar disso eu gostava bastante de jogar nele, sério era bem legal. O Problema das pilhas foi resolvido com um simples adaptador 12V de parede, no qual eu ligava ele atrás do controle aonde ficavam as pilhas.
    Eu lembro que sempre quis ficar com ele, as vezes até comprar, mas meu amigo nunca vendeu....hoje deve estar jogado em algum canto da casa dele...
    É um bom jogo, agora vamos concordar, ele muito bem poderia ter sido feito para o snes, hehe... Ai evitaria toda a encheção de montá-lo, etc.

    BTW, você encontra os Virtual Boy para vender hoje de algumas formas, não é exatamente barato, afinal virou um item meio raro para colecionar.

    A parte boa que não tem muitos jogos diferentes prá se comprar
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  5. Biggus Dickus -
    Avatar de Biggus Dickus
    Citação
    Retail availability

    * JP July 21, 1995
    * NA August 14, 1995

    Discontinued

    * JP December 22, 1995
    * NA March 2, 1996
    Deve ter sido um dos produtos eletronicos que ficou menos tempo em produção.
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  6. Rodrigo Guerini -
    Avatar de Rodrigo Guerini
    Citação
    Deve ter sido um dos produtos eletronicos que ficou menos tempo em produção.
    O Ngage deveria ter ficado menos :P

    Mas a Nokia insistiu, insistiu...
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  7. *Constantine -
    Avatar de *Constantine
    A própria Nintendo sabia que o Virtual Boy provocava dores de cabeça, já que o aparelho saiu com pause automático em intervalos de minutos para não cansar" o jogador. Patético.

    Tenho um na minha coleção mas realmente é um grande mico da Nintendo.
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